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Copa do Mundo: Gays devem ir torcer na Rússia?


Não é de hoje que o público LGBT enfrenta dificuldade para entrar no meio do futebol, um dos esportes mais machistas. Mas iniciativas como a Ligay, primeiro campeonato brasileiro de futebol gay, incentiva a criação de mais times gays por todo o Brasil. Contudo, a paixão pelo futebol pode não ser suficiente para que gays possam curtir a Copa do Mundo da Rússia. É que o país ainda é um dos mais conhecidos por não garantir direitos a comunidade LGBT.

Apesar da lei garantir desde 1993 a não penalização da atividade sexual entre pessoas do mesmo sexo, desde que consentida, privada e com maiores de 16 anos; desde junho de 2013 está em vigor uma lei na Rússia que proíbe a “propaganda gay”. Essa lei proíbe manifestações em locais públicos onde crianças possam estra presentes, banindo paradas gays e distribuição de material LGBT. Na Rússia não é raro homossexuais sofrerem agressões físicas ou verbais, mesmo na capital Moscou. Para se ter ideia, uma pesquisa (2013) realizada pelo Centro Russo de Estudo de Opinião Pública mostrou que 90% dos entrevistados eram favoráveis a lei que proíbe a “propaganda gay”.

O país recebeu desde então importantes eventos esportivos, como Mundial de Atletismo, que ocorreu meses depois do início da nova lei, e os Jogos Olímpicos de Inverno, disputados em Sochi em 2014. Nos dois eventos atletas internacionais fizeram protestos contra a lei e foram duramente criticados pelos russos, entre eles a campeã olímpica do salto com vara, Ielena Isinbaieva, que chegou a exigir respeito as leis do país.

Para a Copa do Mundo, segundo matéria da Folha de São Paulo, a Fifa e o Comitê Organizador Local afirmam que não haverá proibição da exibição de símbolos LGBT, embora a entidade mundial que comanda o futebol alerta que bandeiras do arco-íris que forem exibidas junto com algum tipo de mensagem serão analisadas individualmente. Vale lembrar que a Fifa proíbe manifestações políticas de qualquer espécie nos estádios durante a Copa do Mundo.

Mas fora do ambiente controlado pelos organizadores da Copa do Mundo a manifestação com símbolos gays podem ser enquadrados na lei que restringe a “propaganda gay”. Estrangeiros podem ser detidos, deportados e ainda ter que pagar multa. A demonstração de afeto entre pessoas do mesmo sexo poderá também gerar algum tipo de problema ao viajante, uma vez que o povo russo é conhecido pelo seu comportamento homofóbico. Mesmo em cidades maiores, como Moscou e São Petersburgo, onde ainda se encontra uma comunidade LGBT relativamente ativa, existem casos de detenções de gays, violência e até mesmo crimes de ódio. Em cidades sedes menores o problema pode ser ainda maior. A Chechênia, que é parte da Federação Russa, é acusada internacionalmente de manter até hoje campos de concentração gays.

Apesar da garantia da FIFA, alguns torcedores gays estão desistindo de acompanhar de perto a Copa do Mundo da Rússia. Em entrevista ao Guia Gay São Paulo, um casal brasileiro afirmou ter desistido de viajar para a competição após não conseguir achar hotel no país que aceitassem que dois homens fiquem juntos no mesmo quarto.


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