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Ex-policial chinês cria império com app gay e já mira rivais como Grindr


Ma Baoli estava acostumado a segredos. De dia, ele era policial no norte da China, casado e conhecido por sua eficiência na busca a criminosos. De noite, levava a vida de um homem gay e operava furtivamente um site para homossexuais de toda a China.

Por 16 anos, Ma manteve o segredo, preocupado com a possibilidade de que sair do armário viesse a significar a expulsão da polícia e o distanciamento da família. Até que um dia, em 2012, seus superiores na polícia descobriram seu site e ele se demitiu.

Com a perda do emprego e as dificuldades da família de aceitar sua sexualidade, Ma decidiu usar a sua paixão para facilitar a conexão entre pessoas do mesmo sexo em um verdadeiro império no mundo dos apps.

Ele criou o Blued, o mais popular aplicativo de encontros gays da China, com valor de mercado de US$ 600 milhões e mais de vinte e sete milhões de usuários ativos, público semelhante ao do Grindr, um dos mais populares apps de encontros gays dos EUA.

Ma, 39, disse que considera sua missão trabalhar para legitimar os relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo, em uma época em que os gays continuam enfrentando discriminação, principalmente na China.

"No passado, as pessoas nem mesmo falavam sobre homossexualidade, porque achavam que era algo sujo, imundo", afirmou.

Ma também vê uma oportunidade de negócios na chamada economia rosa da China, já que mais e mais pessoas gastam dinheiro em sites de relacionamento, entretenimento e viagens voltados para o público LGBT.

Como no caso de muitas empresas de tecnologia promissoras na China, o Blued está apenas começando a registrar lucro. A maioria de seus serviços, como chats e vídeos ao vivo, é gratuita. Atrair publicidade continua difícil, e algumas empresas se recusam em ver suas imagens associadas a um serviço voltado ao publico LGBT.

Ma agora tem na mira mercados internacionais, com a esperança de desafiar empresas estabelecidas como o Grindr e Hornet. Para isso, ele montou um amplo escritório em Pequim e comanda uma equipe com cerca de 200 funcionários.

Ao descrever o desafio de criar uma startup de sucesso na China e a luta do movimento pelos direitos LGBT, ele cita seu ídolo, Jack Ma, fundador do Alibaba.

"Nos momentos dolorosos, me lembro do que Jack Ma disse: 'Hoje é difícil, amanhã será pior, mas depois de amanhã o sol vai brilhar'."


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