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Hotéis gay-friendly. Segregação ou atendimento especializado?


Chegar em um hotel acompanhado por uma pessoa do mesmo sexo e o recepcionista perguntar se a cama reservada é mesmo de casal. Hotéis que ficam inexplicavelmente lotados ou a reserva é cancelada sem qualquer motivo. Esses são alguns dos muitos constrangimentos que casais LGBT’s ainda sofrem durante viagens.

“Cheguei com meu namorado em um hotel de Salvador para passar uma noite, já que íamos viajar no dia seguinte. Não fizemos reserva, mas entramos de mãos dadas, ficamos abraçados na recepção. Quando fomos para o quarto, nos deram duas camas de solteiro. Tivemos que voltar para pedir uma cama de casal. Deu pra perceber a má vontade em nos atender”, relatou o administrador Felipe Baumler ao Viajay.

Segundo a gerente do Hotel Morro de São Paulo, Cláudia Passos, apesar da hospedagem não ter um selo “gay friendly”, 30% da ocupação média anual é feita por casais LGBT’s. “Não perguntamos mais nada. Quando recebemos uma reserva feita por dois homens ou duas mulheres já deixamos no quarto uma cama de solteiro extra. Assim, ficam todos à vontade e evitamos qualquer situação delicada”, explica.

Porém, alguns constrangimentos sofridos pelos turistas são mais graves. Em junho, a imprensa portuguesa noticiou o caso do Hotel Casa D’João Enes, na região de Afife, em Portugal. No site do hotel havia as "condições de utilização", que proibia a “reserva de adeptos de futebol; frequentadores de festivais de música de verão; gays e lésbicas; consumidores de estupefacientes e quaisquer substâncias psicotrópicas." O proprietário chegou a declarar que ele que decide "quem inclui e quem exclui". Depois da polêmica, o dono foi obrigado a remover o aviso do site. O Observatório das Discriminações, em Portugal, reúne desde 2012 denúncias de crimes contra pessoas LGBT e já ouviu diversos relatos de preconceito na rede hoteleira, como o caso de um casal de duas mulheres que ouviram na recepção “não queremos pessoas dessas aqui” e foram convidadas a ficar em quartos separados ou cancelar a reserva.

 

O medo da discriminação faz com que alguns casais permaneçam separados mesmo estando de férias e fora de suas cidades. “Já tivemos caso em que vimos nitidamente que era um casal, mas por vergonha eles chegaram na recepção querendo separar as camas. Respeitamos o pedido mesmo assim, sem fazer perguntas”, conta Andrea Drechsler, proprietária do Hotel Pousada Natureza, em Morro de São Paulo. Para ela, o preparo para receber casais LGBT’s começa na escolha dos funcionários. “Na hora da seleção um dos requisitos é não ter preconceito de nenhum tipo, seja orientação sexual ou mesmo religiosa. Tratamos todos os nossos hóspedes como iguais, sem distinções”, afirma.

Presidente da Federação Baiana de Hospedagem, Silvio Pessoa defende a existência de equipamentos específicos para o público LGBT. “Nós tivemos um treinamento do Ministério do Turismo para lidar com esse público na época da Copa do Mundo, mas precisa ser algo constante. O ideal é que haja hotéis específicos voltados para esses turistas, que são os que mais gastam e consomem. Os demais hotéis precisam informar ao turista de alguma forma que ali ele não sofrerá discriminação. O medo ainda é muito grande. O cuidado vai da recepção até o serviço de quarto”, afirma.


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