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Lea T, a transexual que vai fazer história na abertura da Olimpíada


Levantar a bandeira da inclusão e ser porta-voz da diversidade de gênero, orientação sexual e raça “num momento em que o Brasil será apresentado ao mundo”. Em entrevista exclusiva à BBC Brasil, a top model internacional Lea T afirma que é com estes objetivos que aceitou um convite para participar da cerimônia de abertura da Olimpíada, no Rio de Janeiro, como a primeira transexual a ter um papel de destaque numa abertura olímpica na história dos Jogos.

Lea T disse não poder entrar em detalhes sobre sua participação, sigilosa como a de todas as outras celebridades, mas adiantou que representará a necessidade de combater o preconceito.

“Não posso falar nada ainda, precisamos manter a surpresa. Mas a mensagem será muito clara: inclusão. Todos, independente de gênero, orientação sexual, cor, raça ou credo, somos seres humanos e fazemos parte da sociedade. Meu papel na cerimônia, num universo micro e representativo, ajudará a transmitir esta mensagem”, diz.

Ao lado de Elza Soares, Gilberto Gil, Caetano Veloso e Anitta, Lea T integra o time de celebridades cuja participação já foi confirmada na noite de 5 de agosto, diante de cerca de 70 mil espectadores no Maracanã e de estimados mais de 3 bilhões de pessoas assistindo pela TV em diversos países.

“Eu, como qualquer outra transexual, levanto uma bandeira. Falo da transexualidade porque faz parte da minha história, mas sou apenas mais uma integrante desta comunidade, sou mais uma. Sei que sou privilegiada por ter a mídia que me ouve, mas cada transexual em sua luta cotidiana tem igual importância para os LGBTs”, diz.

TRANSEXUAIS NAS OLIMPÍADAS


Desde 2003, a Comissão Médica do Comitê Olímpico Internacional (COI) passou a se pronunciar a favor de que atletas que tivessem passado por cirurgias de mudança de sexo pudessem competir sob o novo gênero nos Jogos.

Apesar de não estabelecer uma regra obrigatória, o COI emitiu recomendações a todas as federações esportivas internacionais para que deixassem de impedir transexuais operados de competir sob seus novos gêneros.

Em nota enviada à BBC Brasil, o COI esclareceu que em 2015 foi reunida uma nova comissão médica e científica para revisar tais orientações. Como resultado, o Comitê Olímpico Internacional passou a recomendar que atletas transexuais possam participar dos Jogos sob seu novo gênero mesmo que não tenham passado pela cirurgia de mudança de sexo.

Os Jogos de 2016 são a primeira edição das Olimpíadas em que a nova recomendação está em vigor.

“É necessário garantir que, ao máximo possível, os atletas transexuais não sejam excluídos da oportunidade de participar de competições esportivas. Requerer mudanças anatômicas cirúrgicas como uma pré-condição para a participação não é necessário para preservar a competição justa e pode ser inconsistente com as noções e legislações de direitos humanos em desenvolvimento”, diz o documento enviado à BBC Brasil assinado pela comissão médica do COI em novembro de 2015.


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