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"O público gay é a massa que me segue", afirma Cláudia Leitte


Convidada para ser a principal atração do aniversário de 7 anos da San Sebastian, a maior boate gay de Salvador, a cantora Claudia Leitte foi questionada por jornalistas sobre sua relação com a causa LGBT. Na coletiva de imprensa, ela declarou ser livre de rótulos, disse que não faz distinção entre o público e falou sobre o bloco Largadinho, no Carnaval de Salvador, ser ocupado predominantemente por gays.

Claudia passou um longo tempo sendo acusada de homofobia por causa de declarações dadas à imprensa. Na época, ela afirmou que não aceitaria que seu primeiro filho, Davi, fosse gay. “Tenho o maior respeito pelos homossexuais, mas quero que meu filho seja macho”, disse. Em outras oportunidades ela justificou a declaração dizendo que na verdade preferia que seu filho não passasse por preconceitos. Tempos depois, assumiu que a declaração foi dada em uma fase de pouca maturidade pessoal, em que ainda não sabia como se posicionar corretamente sobre o tema. Oito anos depois do início dessa polêmica, a cantora foi mais uma vez abordada sobre a questão da homossexualidade.

Com o bloco Largadinho formado predominantemente por gays, Claudia Leitte e Ivete Sangalo viraram recentemente as grandes divas desse público no Carnaval de Salvador. Porém, a situação nem sempre foi assim. O único bloco considerado pró-LGBT era "Os Mascarados" e pouco tempo depois o "Crocodilo", com Daniela Mercury, que por muitos anos levantou sozinha a bandeira da diversidade sexual.

Viajay: O que mudou no Carnaval de Salvador nesse tempo e porque as grandes cantoras demoraram tanto tempo para assumir e abraçar esse público?

Claudia Leitte: Ah... não é a cantora que abraçou o público. O momento que é diferente. A liberdade está mais exposta. Sempre houve um público gay em nossos blocos, mas agora está mais evidente. A gente esta ali em cima para fazer música para todo mundo. Eu nunca fiz segregação de pessoas. Para mim é um público. Todo mundo é igual, não tem que ter diferença. Esse é um momento de luta e de vitória. É óbvio que agora tem uma coisa de auto afirmação. 'Aqui é meu espaço, quero mostrar agora que eu estou em um bloco que não é so de gays, que não tem esse rótulo'.

Viajay: O Viajay é um site de turismo LGBT. Você roda o país com suas turnês, além das diversas micaretas. Em qual local do Brasil você acha que esse público está mais tranquilo e é mais respeitado?

CL: Eu posso estar sendo injusta, mas o lugar onde eu me sinto mais à vontade com esse público é aqui. É onde eu quero mostrar o melhor de mim. A gente tem uma baianidade nagô que é explícita. Quando o sol nasce todo mundo já está descamisado, de cabelo bagunçado, com o pé no chão. E a música da gente tem a ver com o verão. É uma metáfora meio louca, mas é assim que eu sinto.

(Encerramos a entrevista a pedido do assessor, que sinalizou o fim do tempo combinado. Cláudia, porém, voltou ao tema do público gay no Carnaval)

CL: Você não acha isso, que é o momento que tá fazendo? [sobre a presença do público gay]

Viajay: Não. Acho que muita gente já foi agredida por essa falta de posicionamento.

CL: Quantos anos você tem?

Viajay: Tenho 27. Mas comecei a ir para o Carnaval de Salvador desde os 12.

CL: E eu comecei a minha carreira aos 19 anos. Não tinha condição naquela época de fazer isso. Era um momento completamente diferente.

Viajay: O problema é que nesse tempo muita gente já foi agredida nas ruas de Salvador pela homofobia.

CL: Muita gente foi agredida, sim, mas hoje ainda poderia ser muito mais. Os tempos agora são outros. O momento é mais saudável, graças a Deus.

(O assessor sinalizou novamente o fim da entrevista)

CL: Não... agora fui eu que perguntei!! Quero saber mais sobre isso. Depois a gente conversa mais...


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